


Tânia Dinis (Vila Nova de Famalicão, 1983) é realizadora e artista. O trabalho desenvolve-se entre o cinema experimental e documental, cruzando imagem de arquivo, memória familiar, práticas performativas e estética relacional, com especial atenção a histórias protagonizadas por mulheres e a contextos de trabalho invisibilizados. Frequenta o doutoramento em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), onde concluiu o Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (2015). É licenciada em Estudos Teatrais pela ESMAE (2006) e frequentou a oficina de montagem e apropriação de material de arquivo na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV, Cuba), com especialização em Creación Cinematográfica desde la Memoria Familiar (2020). Os filmes tem sido reconhecidos em contexto nacional e internacional. Destacam-se o filme Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas (Melhor Curta Portuguesa no IndieLisboa e Melhor Documentário Português no MDOC, 2024; Melhor Documentário no Rome Independent Cinema Festival e Prémio Porto Femme International Film, 2025; Prémio do Público na Mostra Internacional de Cinema Etnográfico do Museo do Pobo Galego), Laura (Melhor Filme no Arquivo em Cartaz – Brasil, 2017) e Não são favas, são feijocas (2013), distinguido com mais de dez prémios em festivais como Curta 8, Cortéx, Mulheres do Mediterrâneo e Dresdner Schmalfilmtage. Paralelamente ao cinema, desenvolve projetos de criação artística e investigação como Operariada, Corpografia, Álbuns de Guerra, Linha de Tempo e Morada Aberta, em coprodução com instituições como a DGARTES, CIAJG, Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro Oficina, Teatro Experimental do Porto e Solar – Galeria de Arte Cinemática de Vila do Conde. Participou em exposições e projetos de arte comunitária, destacando-se Imagens Intangíveis (Carpintarias de São Lázaro, Lisboa) e um projeto desenvolvido em Cabeção (Mora), a partir do arquivo dos anos 1970 do Centro Cultural local, centrado na vivência das mulheres no espaço social e cultural. É docente universitária nas áreas do cinema e do teatro (Universidade do Minho e ESAP), tem integrado júris de festivais como Porto/Post/Doc, MICE e Curtas Vila do Conde, e o seu trabalho integra a Coleção de Arte Contemporânea do Município do Porto.
A prática artística de Tânia Dinis surge de um trabalho de pesquisa e de criação sobre a intimidade, e realiza-se através de um confronto assíduo com o arquivo, com os álbuns de família, os documentos e outros objectos de memória que ela encontra no seu ambiente familiar, nos aglomerados anónimos das feiras e mercados, ou em situações de partilha com grupos de pessoas e comunidades específicas.
A partir desta pesquisa, a artista apropria-se das imagens, reorganizadas, recortadas, e reproduzidas em material transparente, e reactiva-as através de uma instalação cénica que utiliza dispositivos luminosos tais como mesas de luz ou projectores, implementada de fragmentos sonoros gravados por magnetofones.
Por meio de uma lenta manipulação das imagens, que produz intersecções e sobreposições, seguindo o ritmo interior do arquivo, e recorrendo a materiais como papel celofane, lupas e filtros, ela constrói pequenas sequências narrativas, num exercício de confrontação da imagem com o som, explorando assim as várias possibilidades de encenação ficcional, e simultaneamente a ideia da imagem como uma experiência da efemeridade do tempo e da memória.
Tânia Dinis (1983, Vila Nova de Famalicão) is an artist and filmmaker whose work lies within experimental and documentary cinema, crossing archival imagery, family memory, performative practices, and relational aesthetics. She is currently pursuing a PhD in Fine Arts at the Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), where she also completed her Master’s degree in Práticas Artísticas Contemporâneas (2015). She holds a Bachelor’s degree in Theatre Studies from ESMAE (2006) and attended a workshop on editing and archival material at the Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV, Cuba), specializing in Creación Cinematográfica desde la Memoria Familiar (2020).
She has developed an award-winning body of film work, nationally and internationally recognized, including Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas (Best Portuguese Short Film at IndieLisboa and Best Portuguese Documentary at MDOC, 2024), Laura (Best Film at Arquivo em Cartaz – Brazil, 2017), and Não são favas, são feijocas, which received over ten awards at festivals such as Curta 8, Cortéx, Mulheres do Mediterrâneo, and Dresdner Schmalfilmtage.
In parallel, she develops artistic creation projects with a strong research component, such as Álbuns de Guerra, Linha de Tempo, Operariada, and Corpografia, in co-production with institutions including DGARTES, CIAJG, Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro Oficina, Teatro Experimental do Porto, and Solar – Galeria de Arte Cinemática de Vila do Conde. She is a university lecturer in the fields of theatre and cinema (Universidade do Minho and ESAP) and has served as a jury member in festivals such as Porto/Post/Doc, MICE, Curtas Vila do Conde, and FAMILY FILM PROJECT.
Her work is represented in the Coleção de Arte Contemporânea do Município do Porto. Her practice explores the overlapping of various artistic, creative, and genealogical fields, reflecting on intimacy, memory, everyday life, and the rural, through a consistent engagement with memory, oral history, and visual documents.
Tânia Dinis’s artistic practice emerges from research and creative work around intimacy, taking form through a sustained engagement with the archive, family albums, documents, and other memory objects that she finds within her family environment, in the anonymous gatherings of fairs and markets, or through shared experiences with specific groups and communities.
From this research, the artist appropriates images—reorganized, cut, and reproduced on transparent material—and reactivates them through a scenic installation that employs luminous devices such as light tables or projectors, combined with fragments of sound recorded on tape recorders.
Through the slow manipulation of images, creating intersections and overlays that follow the inner rhythm of the archive, and using materials such as cellophane paper, magnifying glasses, and filters, she constructs small narrative sequences. This becomes an exercise in confronting image and sound, exploring various possibilities of fictional staging, while simultaneously reflecting on the image as an experience of the ephemerality of time and memory.